SEMANA 35: TEMA: A cordialidade brasileira e suas consequências em questão no século XXI

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SEMANA 35: TEMA: A cordialidade brasileira e suas consequências em questão no século XXI

Mensagem por Francis Bacon em Seg Out 10, 2016 7:08 pm

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema A cordialidade brasileira e suas consequências em questão no século XXI, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto 1

Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade — daremos ao mundo o “homem cordial”. A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal. Seria engano supor que essas virtudes possam significar “boas maneiras” , civilidade. São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante.
HOLANDA, Sérgio Buarque. “Raízes do Brasil”. 26. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Texto 2

Poucos conceitos se prestam a tamanha confusão quanto o de “homem cordial”, central no livro Raízes do Brasil, do historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982). Logo após a publicação da obra em 1936, o escritor Cassiano Ricardo implicou com a expressão. Para ele, a ideia de cordialidade, como característica marcante do brasileiro, estaria mal aplicada, pois o termo adquirira, pela dinâmica da linguagem, o sentido de polidez – justamente o contrário do que queria dizer o autor.
A polêmica sobre a semântica teria ficado perdida no passado não fosse o fato de que, até hoje, muitas pessoas, ao citar inadvertidamente a obra, emprestam à noção de Buarque de Holanda uma conotação positiva que, desde a origem, lhe é estranha. Em resposta a Cassiano, o autor explicou ter usado a palavra em seu verdadeiro sentido, inclusive etimológico, que remete a coração. Opunha, assim, emoção a razão.
Apesar do zelo do autor, no entanto, o equívoco persistiu. Afinal, o que haveria de errado na cordialidade brasileira, nesse sentido de afetuosidade típica de um povo? Não haveria nada condenável se a afabilidade se desse em ambiente privado, em relações entre familiares e amigos. A expressão “homem cordial”, a propósito, fora cunhada anos antes, por Rui Ribeiro Couto, que julgou ser esse tributo uma contribuição latina à humanidade.
O problema surge quando a cordialidade se manifesta na esfera pública. Isso porque o tipo cordial – uma herança portuguesa reforçada por traços das culturas negra e indígena – é individualista, avesso à hierarquia, arredio à disciplina, desobediente a regras sociais e afeito ao paternalismo e ao compadrio, ou seja, não se trata de um perfil adequado para a vida civilizada numa sociedade democrática.
Disponível em: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/o_jeitinho_do_homem_cordial.htmL

Texto 3

Um dos estereótipos mais arraigados em relação à cultura brasileira é a de que somos um povo alegre, hospitaleiro e festeiro. Ora, de cada 100 assassinatos ocorridos no mundo, 13 verificam-se no Brasil. O pensamento machista domina a sociedade de alto a baixo —uma em cada três pessoas (homens e mulheres) acredita que o estupro ocorre por causa do comportamento feminino. A violência no trânsito é responsável pela terceira maior causa de óbitos no Brasil, logo após as doenças cardíacas e o câncer.
Talvez tenhamos que repensar o caráter do brasileiro. Afirmar que os brasileiros somos naturalmente alegres é desconhecer a insatisfação latente que vigora nos trens, ônibus e vagões de metrô lotados. Falar que os brasileiros somos tolerantes é desconhecer nosso machismo, nossa homofobia, nosso racismo. Dizer que os brasileiros somos solidários é desconhecer nossa imensa covardia para assumir causas coletivas. A frustração, como já alertou uma canção do Racionais MC, é uma máquina de fazer vilão. No fundo, estamos empurrando a sociedade para o beco sem saída do autismo social.

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Re: SEMANA 35: TEMA: A cordialidade brasileira e suas consequências em questão no século XXI

Mensagem por Francis Bacon em Seg Out 10, 2016 7:10 pm

Em sua obra “A casa e a rua”, Roberto DaMatta revisita a ideia do homem cordial ao mostrar que, na teoria, o ambiente privado é o lugar do uso da emoção acima da razão, enquanto, no meio público, a moral, as leis coletivas regem o indivíduo. Parece, porém, que, nos dias de hoje, a prática tem sido diferente: na sociedade do “jeitinho” brasileiro, o que tem espaço são as pequenas corrupções, a malandragem, reduzindo os limites entre o espaço coletivo e o privativo e formando um sujeito que só age com o coração.

Antes de tudo, é importante analisar, ao longo da história, a construção do brasileiro que deixa de lado a razão em qualquer situação. Analisando a obra de Gilberto Freyre, por exemplo, desde os tempos de escravidão a relação dos senhores com as escravas que trabalhavam na casa-grande parecia justificar todo o processo de escravização. Todo e qualquer auxílio dentro do ambiente familiar aproximava as negras e, consequentemente, mantinha fortes os laços, apesar da condição segregacionista.

Nos dias de hoje, a cordialidade continua presente. Isso porque, em um contexto de frequentes casos de corrupção em partes importantes do governo, os pequenos “jeitinhos”, que parecem ter sido esquecidos, são parte da cultura brasileira e têm muita relação com a emoção. Tentativas de suborno e contratações ilegais de familiares em cargos públicos são exemplos comuns de ações em diversas áreas do país, o que confirma a existência de uma sociedade que, em detrimento da razão, coloca as relações pessoais em primeiro lugar e burla regras nas decisões diárias.

Torna-se evidente, portanto, a predominância do indivíduo cordial, que prioriza o coração e deixa de lado as regras morais do coletivo. Buscando resolver isso, é importante que o poder público, em um trabalho de fiscalização, identifique os casos de pequenas corrupções, classifique-os como crime e julgue cada um. No mesmo contexto, a mídia pode denunciar e debater essas ações em ficções engajadas e divulgar as medidas por parte do governo. A escola, formadora de opinião, pode trabalhar esse comportamento na raiz, mostrando a necessidade de, no ambiente coletivo – ou na rua de Roberto DaMatta -, a moral imperar nas atitudes do indivíduo, de forma que, em pouco tempo, a separação entre o público e o privado saia da teoria e, pelo menos no Brasil, se torne prática no meio social.

modelo proposto retirado do site: descomplica.com.br

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