SEMANA 25: TEMA: Publicação de imagens trágicas – banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?

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SEMANA 25: TEMA: Publicação de imagens trágicas – banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?

Mensagem por Francis Bacon em Sab Ago 27, 2016 1:59 am

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema Publicação de imagens trágicas – banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto I

Um dos traços característicos da vida moderna é oferecer inúmeras oportunidades de vermos (à distância, por meio de fotos e vídeos) horrores que acontecem no mundo inteiro. Mas o que a representação da crueldade provoca em nós? Nossa percepção do sofrimento humano terá sido desgastada pelo bombardeio diário dessas imagens?
Qual o sentido de se exibir essas fotos? Para despertar indignação? Para nos sentirmos “mal”, ou seja, para consternar e entristecer? Será mesmo necessário olhar para essas fotos? Tornamo-nos melhores por ver essas imagens? Será que elas, de fato, nos ensinam alguma coisa?
Muitos críticos argumentam que, em um mundo saturado de imagens, aquelas que deveriam ser importantes para nós têm seu efeito reduzido: tornamo-nos insensíveis. Inundados por imagens que, no passado, nos chocavam e causavam indignação, estamos perdendo a capacidade de nos sensibilizar. No fim, tais imagens apenas nos tornam um pouco menos capazes de sentir, de ter nossa consciência instigada.
Susan Sontag. Diante da dor dos outros, 2003. Adaptado.
 

Texto II

Quantas imagens de crianças mortas você precisa ver antes de entender que matar crianças é errado? Eu pergunto isso porque as mídias sociais estão inundadas com o sangue de inocentes. Em algum momento, as mídias terão de pensar cuidadosamente sobre a decisão de se publicar imagens como essas. No momento, há, no Twitter particularmente, incontáveis fotos de crianças mortas. Tais fotos são tuitadas e retuitadas para expressar o horror do que está acontecendo em várias partes do mundo. Isto é obsceno. Nenhuma dessas imagens me persuadiu a pensar diferentemente do modo como eu já pensava. Eu não preciso ver mais imagens de crianças mortas para querer um acordo político. Eu não preciso que você as tuite para me mostrar que você se importa. Um pequeno cadáver não é um simbolo de consumo público. ́
Suzanne Moore. “Compartilhar imagens de cadáveres nas mídias sociais não é o modo de se chegar a um cessar-fogo”. www.theguardian.com, 21.07.2014. Adaptado.

Texto III

A morbidez deve ser evitada a todo custo, mas imagens fotográficas chocantes que podem servir a propósitos humanitários e ajudar a manter vivos na memória coletiva horrores inomináveis (dificultando, com isso, a ocorrên- cia de horrores similares) devem ser publicadas.
Carlos Eduardo Lins da Silva. “Muito além de Aylan Kurdi”. http://observatoriodaimprensa.com.br, 08.09.2015. Adaptado.
 

Texto IV

Diretor da ONG Human Rights Watch, Peter Bouckaert publicou em seu Twitter a foto do menino sírio de 3 anos que se afogou. Ele explicou sua decisão: “Alguns dizem que a imagem é muito ofensiva para ser divulgada. Mas ofensivo é aparecerem crianças afogadas em nossas praias quando muito mais pode ser feito para evitar suas mortes.”
“Diretor de ONG explica publicação de foto de criança”. Folha de S.Paulo, 03.09.2015. Adaptado.
 

Texto V


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Re: SEMANA 25: TEMA: Publicação de imagens trágicas – banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?

Mensagem por Francis Bacon em Sab Ago 27, 2016 2:00 am

Modelo de redação proposto pelo site Desconversa.com.br:

Embora publicado em 1885, o conto machadiano A causa secreta, por meio do personagem Fortunato, aborda um tema universal e atemporal: a falta de empatia, o comportamento sádico. A racionalidade que rege essa conduta pode ser enquadrada na atualidade, visto que é extremamente entristecedor e preocupante o quadro atual de menos valia que a humanidade está atribuindo ao sofrimento do outro no ato, apático e cético, de publicação e compartilhamento de imagens trágicas.

Com a consolidação da internet, não só como fonte de informação, mas também como ferramenta para a produção e a disseminação de conteúdo, mudou-se o modo de fazer jornalismo, o que provocou um questionamento sobre o comportamento da mídia. A prática sensacionalista desses meios transforma as notícias em objetos de espetacularização, supervalorizando aspectos emocionais em detrimento de uma informação e, consequentemente, comove a opinião pública principalmente quando imagens de pessoas mortas são veiculadas. Como exemplo de situação trágica exposta, tem-se a foto que registrou um grupo de banhistas se divertindo, na praia, ao lado dos corpos de duas vítimas do desabamento de parte da ciclovia Tim Maia.

Em contraposição a esse tipo de atitude, o site Vox Media, por exemplo, acredita que a publicação de uma imagem violenta contém aspecto viral e acarreta uma superexposição desnecessária em vez de promover compaixão e empatia. Nesse sentido, na busca por audiência fácil, o sensacionalismo atiça a curiosidade das pessoas, que, por sua vez, buscam mais informações. A relação entre o público e o grotesco deixa evidente a perda de sensibilização diante dessas imagens, o que configura a banalização da dor, do horror e da angústia, garantindo a indiferença das massas frente a esses aspectos e até mesmo o conformismo da sociedade brasileira diante das tragédias.

Fica claro, portanto, que, em uma sociedade em que os meios de comunicação possuem grande representatividade, o resguardo privado e a imagem são mais facilmente agredidos. A fim de alterar esse quadro, o governo brasileiro deve regular e adequar as normas de direito à imagem, assegurado pela Constituição Federal do Brasil, e não construir novos mecanismos de proteção jurídica. Por meio da Lei Marco Civil da Internet, garante-se a inviolabilidade da intimidade, o direito a sua proteção e a indenização por dano decorrente de violação, defendendo a proteção integral da imagem de qualquer indivíduo caso não haja consentimento específico para qualquer fim. Dessa maneira, contribui-se na constante formação da humanidade para se afastar de condutas sociais e éticas como a de Fortunato.

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