SEMANA 3: TEMA: Dengue, Zika, Chikungunya – por que o Brasil não consegue acabar com o Aedes Aegypti?

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SEMANA 3: TEMA: Dengue, Zika, Chikungunya – por que o Brasil não consegue acabar com o Aedes Aegypti?

Mensagem por Francis Bacon em Dom Mar 06, 2016 8:39 pm

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, Dengue, Zika, Chikungunya: por que o Brasil não consegue acabar com o Aedes Aegypti? redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
 

TEXTO I

De oswaldo.cruz.edu para dilma@gov
Senhora,
Estive ontem com o doutor Adib Jatene, e ele contou que a participação do banco BTG Pactual na rede de hospitais D’Or estaria sendo vendida por algo como R$ 2 bilhões. Nesse caso, o negócio todo vale uns R$ 20 bilhões. Puxamos pela memória e vimos que o Brasil deve ter uns quatro bilionários (em dólares) que fizeram fortuna no setor de saúde. Estranha estatística. No Brasil, os bilionários são donos de hospitais ou atuam na área da saúde. Nos Estados Unidos, os bilionários dão nome a hospitais que lembram suas atividades filantrópicas. O Langone e o Sloan Kettering Memorial, em Nova York, por exemplo.
Seria de supor que a saúde no Brasil estivesse muito bem, porque em 1892, quando me formei em Medicina, não havia dono de hospital rico. Nem quando o Jatene se diplomou, em 1953. As coisas aí vão de pior a péssimas. Se vos faltasse alguma desgraça, o Brasil tem uma nova epidemia, transmitida pelo meu velho conhecido, o mosquito Aedes aegypti.

Ele empesteava o Rio de Janeiro no início do século XX, transmitindo a febre amarela. Tive mão forte do presidente e fumiguei a cidade. Não se empregavam apaniguados na saúde pública. O conselheiro Rodrigues Alves nomeou um médico sem consultar-me. Levei-lhe minha demissão, e ele desfez o ato.

A relação entre o mosquito, o vírus zika e complicações neurológicas foi sugerida em 2013. No sábado passado, o seu Ministério da Saúde anunciou que o zika matara uma criança no Ceará e reconheceu a suspeita de que tenha provocado 1.248 casos de microcefalia em bebês. Disparou-se um mecanismo neurastênico, como se a calamidade estivesse no vírus. Ela não está no zika, mas na saúde pública.
O seu diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis disse o seguinte: “Não engravidem agora.” Bem que a senhora poderia avisar às brasileiras quando a gravidez deixará de ser arriscada. Levado ao pé da letra, meu colega extinguirá nossa população.

O zika provoca distúrbios neurológicos em adultos, homens, mulheres e mesmo em bebês. Alguns podem ser leves, outros, graves. Desde o ano passado, havia médicos trabalhando com a informação de que o vírus chegara ao Brasil. Ele estava aí, e posso lhe dizer que no primeiro semestre um paciente nordestino foi diagnosticado, até mesmo em São Paulo, com diversas suspeitas, menos zika. Era.
Isso é produto do descaso de um sistema de saúde onde os mosquitos parecem fazer parte do mundo dos pobres. O Aedes continua transmitindo dengue. Neste ano, já pegou 1,5 milhão de brasileiros, e esse número virou uma simples estatística. É elementar que o zika atingiu também adultos, diagnosticados sabe-se lá com o quê.

Haverá quem pense que os clientes de hospitais de bilionários estarão livres do risco. É verdade que existem doenças de pobres, mas o Aedes não trabalha com reserva de mercado. O problema está onde sempre esteve: no mosquito e na ideia de que ele só pica pobre. Ele nos trará mais surpresas.

Termino com um pedido: Troque o nome de todas as ruas que levam o meu nome para “Rua do Mosquito”. Enquanto ele matar brasileiros, o venerável Instituto Oswaldo Cruz terá o nome da praga: “Instituto Aedes Aegypti”. Assim, em vez de exaltar uma glória que não temos, lembraremos de um problema que não resolvemos.

Saúda-a o patrício, Oswaldo Cruz.
Elio Gaspari
 

TEXTO II

Como podemos destacar o papel do poder público no combate ao mosquito, já que essa epidemia não é uma coisa nova? Onde está o erro?
O erro está no modelo de desenvolvimento econômico que o brasil adotou a 500 anos. Não é um erro do gestor atual, mas deste processo de desenvolvimento econômico, que privilegia o crescimento urbano acelerado e desorganizado sem o devido suporte dos instrumentos necessários para atender a população, como, por exemplo, coleta regular de resíduos sólidos, fornecimento de água de modo regular para consumo doméstico e a própria distribuição geográfica de vários espaços.
No combate ao Aedes aegypti, a educação da população também é um fator a ser explorado?
Sim, mas não a educação de ensino regular. Veja só, se você andar pela rua, vai cansar de ver gente jogando latinha fora do lixo. Enquanto persistir isso, não tem solução. A gente tem que se conscientizar. O brasileiro tem isso de se apegar a ilusões, só que a realidade nos confronta. Sabe o jogo do Brasil com a seleção alemã, o 7 a 1? Então. Nós estamos brincando de controlar o Aedes aegypti nesses trinta anos que tem dengue no Brasil. Tem todo esse tempo e nós estamos perdendo de 7 a 1 na luta contra esse mosquito. Nós estamos usando uma estratégia que não está dando certo. É claro que uma coisa ou outra, prefeito A ou prefeito B, uma greve na coleta do lixo, enfim, podem contribuir para a situação. Mas, para além disso temos que refletir o que está no cerne da questão, se é que queremos resolver o problema.
http://www.politicadistrital.com.br/2015/12/14/ estamos-brincando-de-combater-o-aedes-aegypti-diz-infectologista-da-fiocruz/
 

Texto III

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Re: SEMANA 3: TEMA: Dengue, Zika, Chikungunya – por que o Brasil não consegue acabar com o Aedes Aegypti?

Mensagem por Francis Bacon em Dom Jun 18, 2017 5:58 pm

Modelo exemplar proposto pelo site: descomplica.com.br

A nação brasileira vive, nos dias atuais, uma situação de calamidade pública: Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela são doenças transmitidas pelo mesmo mosquito, o Aedes Aegypti. Neste sentido, essas enfermidades atormentam a população, em especial, as mulheres grávidas, que estão mais suscetíveis, uma vez que além de provocar febre, cansaço ou mal-estar, o mosquito vincula-se à disseminação de casos de microcefalia em recém-nascidos. A partir dessa análise, nota-se a ineficiência pública brasileira para evitar que esse mal continue se alastrando ao longo dos anos.

Em primeiro lugar, o individualismo dos cidadãos junto à falta de engajamento para ações preventivas sobrepõe-se ao bem-estar do coletivo. Se pequenas atitudes fossem tomadas, como tampar depósitos de água limpa, encher de areia os pratos dos vasos de planta e evitar a água parada, haveria uma diminuição significativa na reprodução do Aedes Aegypti. Esse individualismo é reflexo da sociedade capitalista em que vivemos, pois uma de suas ideologias incita a competição, o interesse próprio ao invés de pensar na construção de uma sociedade mais altruísta.

Além disso, há o falso pensamento, gerado pelo senso comum, de que o Estado é o único responsável pelo combate ao mosquito. De fato, o governo tem o papel de transformar diversas questões sociopolíticas, dentre elas, a saúde, mas não cabe ao Poder Público a função “exclusiva” de eliminar o inseto transmissor. Por conseguinte, muitos indivíduos transferem sua participação civil, culpabilizando os governantes pelos problemas vigentes e omitem o exercício de cidadania de colaborar com o âmbito em que vivem, sendo este um dos deveres prescritos pela Constituição de 1988. Embora sejam cruciais as políticas estatais – no intuito de evitar a disseminação do Aedes Aegypti – essas sempre terão um caráter subsidiário, complementar.

Fica claro, portanto, a necessidade de uma união entre Estado e sociedade para combater a reprodução do Aedes Aegypti. O governo, em parceria com a mídia, deve promover campanhas de conscientização ao público e investir na distribuição de vacinas aos postos de saúde de todo o Brasil, a fim de prevenir as doenças causadas pelo mosquito. Ademais, os cidadãos também precisam ser protagonistas ao evitar o acúmulo de água parada, denunciar aos fiscais sanitários ambientes infectados pelos insetos e fazer o uso da vacina; tal fato fará com que esses desempenhem a função de agentes de transformação social. Assim, teremos a construção de uma sociedade mais harmônica e colaborativa.

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