SEMANA 44: TEMA: O papel da literatura na formação de valores da sociedade

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SEMANA 44: TEMA: O papel da literatura na formação de valores da sociedade

Mensagem por Francis Bacon em Seg Maio 15, 2017 4:37 am

Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema O papel da literatura na formação de valores da sociedade, apresentando proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
 

Texto 1

Sempre pensei que fosse sábio desconfiar de quem não lê literatura. Ler ou não ler romances é para mim um critério. Quer saber se tal político merece seu voto? Verifique se ele lê literatura. Quer escolher um psicanalista ou um psicoterapeuta? Mesma sugestão. E, cuidado, o hábito de ler, em geral, pode ser melhor do que o de não ler, mas não me basta: o critério que vale para mim é ler especificamente literatura − ficção literária.
Você dirá que estou apenas exigindo dos outros que eles sejam parecidos comigo. E eu teria de concordar, salvo que acabo de aprender que minha confiança nos leitores de ficção literária é justificada. Algo que eu acreditava intuitivamente foi confirmado em pesquisa que acaba de ser publicada pela revista Science, “Reading literary fiction improves theory of mind” [Ler ficção literária melhora a teoria da mente], de David C. Kidd e Emanuele Castano.
Kidd e Castano aplicaram esses testes em diferentes grupos, criados a partir de uma amostra homogênea: 1) um grupo que acabava de ler trechos de ficção literária, 2) um grupo que acabava de ler trechos de não ficção, 3) um grupo que acabava de ler trechos de ficção popular, 4) um grupo que não lera nada. Conclusão: os leitores de ficção literária enxergam melhor a complexidade do outro e, com isso, podem aumentar sua empatia e seu respeito pela diferença de seus semelhantes. Com um pouco de otimismo, seria possível apostar que ler literatura seja um jeito de se precaver contra sociopatia e psicopatia.
A pesquisa mede o efeito imediato da leitura de trechos literários. Não sabemos se existem efeitos cumulativos da leitura passada: o que importa não é se você leu, mas se está lendo. A pesquisa constata também que a ficção popular não tem o mesmo efeito da literária. A diferença é explicada assim: a leitura de ficção literária nos mobiliza para entender a experiência das personagens. Segundo os pesquisadores, “contrariamente à ficção literária, a ficção popular tende a retratar o mundo e as personagens como internamente consistentes e previsíveis. Ela pode confirmar as expectativas do leitor em vez de promover o trabalho de sua teoria da mente”.
Na próxima vez em que eu for chamado a sabatinar um candidato a um emprego, não me esquecerei de perguntar: qual é o romance que você está lendo?
Contardo Calligaris. Adaptado de www1.folha.uol.com.br.
 

Texto 2

Podemos dizer que a literatura é o sonho acordado das civilizações. Portanto, assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura. Deste modo, ela é fator indispensável de humanização e, sendo assim, confirma o homem na sua humanidade, inclusive porque atua em grande parte no subconsciente e no inconsciente.
Cada sociedade cria as suas manifestações ficcionais, poéticas e dramáticas de acordo com os seus impulsos, as suas crenças, os seus sentimentos, as suas normas, a fim de fortalecer em cada um a presença e atuação deles. Por isso é que nas nossas sociedades a literatura tem sido um instrumento poderoso de instrução e educação, entrando nos currículos, sendo proposta a cada um como equipamento intelectual e afetivo.
Antonio Candido
Adaptado de Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1995.
 

Texto 3

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Re: SEMANA 44: TEMA: O papel da literatura na formação de valores da sociedade

Mensagem por Francis Bacon em Seg Maio 15, 2017 4:38 am

Redação exemplar proposta pelo site: descomplica.com.br/blog

A poesia de Castro Alves, durante a 3ª geração romântica, marcou o século XIX, uma vez que seus textos tinham o intuito de denunciar a condição dos escravos negros daquele período e, por meio da reflexão lírica, instaurar o pensamento abolicionista na população brasileira. Neste sentido, é possível perceber que a literatura não dissemina só anseios artísticos, mas também, possui função ativa na formação de valores da sociedade e torna-se imprescindível reconhecer o seu valor.

A falta de incentivo à leitura, infelizmente, faz com que os jovens não se interessem pela literatura e não aflorem o senso crítico. Uma das causas desse mal é que não há o estímulo ao hábito de ler e, quando os textos literários são indicados nas escolas, restringem-se à interpretação textual, sem debates ou análises, sendo que a literatura é uma representação simbólica da realidade. Por conseguinte, os estudantes não percebem como essa contribui ao seu desenvolvimento pessoal e crítico, de modo que os indivíduos compreendam que são agentes de transformação social e questionem a manutenção do senso comum.

Além disso, a literatura ajuda o leitor a repensar os valores da sociedade e o incita a refletir sobre questões sociais. As narrativas de Jorge Amado, por exemplo, discutem sobre as camadas marginalizadas da região Nordeste e, por meio da vivência de seus personagens, representam as mazelas ainda tão presentes em nossa realidade, tais como a fome, a desigualdade econômica e a falta de políticas públicas, como vistas na obra “Capitães da Areia”. Dessa maneira, a literatura transcende o campo ficcional, pois reflete em seus textos os valores de seu tempo e chama a atenção para a necessidade de construir um coletivo mais solidário e participativo, a fim de evitar a naturalização dos problemas sociais.

Portanto, a literatura assume importância na formação de indivíduos e na construção de ideais éticos. Para estimular o hábito de ler e, também, o interesse por textos literários, a escola deve promover rodas de leitura, discussão das obras e, ainda, explorar os temas para a apresentação de filmes e peças teatrais. Ademais, a mídia pode atuar com a informação e a acessibilidade cultural, como já ocorre com a TV Globo, que apresenta minisséries baseadas em livros e, junto à função apelativa, faz o público repensar alguns emblemas, entre eles, a igualdade de direitos. Assim, a literatura será valorizada e continuará, como na 3ª Geração Romântica, ajudando leitores a desconstruírem a intolerância em prol de uma sociedade mais inclusiva.

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