SEMANA 43: TEMA: O “jeitinho brasileiro” em discussão no século XXI

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SEMANA 43: TEMA: O “jeitinho brasileiro” em discussão no século XXI

Mensagem por Francis Bacon em Seg Maio 15, 2017 4:34 am

Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema O “jeitinho brasileiro” em discussão no século XXI, apresentando proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto 1

Quase um em cada quatro brasileiros (23%) afirma que dar dinheiro a um guarda para evitar uma multa não chega a ser um ato corrupto, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais e o Instituto Vox Populi. Os números refletem o quanto atitudes ilícitas, como essa, de tão enraizados em parte da sociedade brasileira, acabam sendo encaradas como parte do cotidiano.
“Muitas pessoas não enxergam o desvio privado como corrupção, só levam em conta a corrupção no ambiente público”, diz o promotor de Justiça Jairo Cruz Moreira. Ele é coordenador nacional da campanha do Ministério Público “O que você tem a ver com a corrupção”, que pretende mostrar como atitudes que muitos consideram normal são, na verdade, um desvirtuamento ético.
Como lida diariamente com o assunto, Moreira ajudou a BBC Brasil a elaborar uma lista de dez atitudes que os brasileiros costumam tomar e que, por vezes, nem percebem que se trata de corrupção.

  • Não dar nota fiscal

  • Não declarar Imposto de Renda

  • Tentar subornar o guarda para evitar multas

  • Falsificar carteirinha de estudante

  • Dar/aceitar troco errado

  • Roubar TV a cabo

  • Furar fila

  • Comprar produtos falsificados

  • No trabalho, bater ponto pelo colega

  • Falsificar assinaturas


“Aceitar essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes corrupções”, afirma o promotor. “Seguindo esse raciocínio, seria algo como um menino que hoje não vê problema em colar na prova ser mais propenso a, mais pra frente, subornar um guarda sem achar que isso é corrupção.” Segundo a pesquisa da UFMG, 35% dos entrevistados dizem que algumas coisas podem ser um pouco erradas, mas não corruptas, como sonegar impostos quando a taxa é cara demais.
Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/ 2012/11/121024_corrupcao_lista_mdb.shtml. Adaptado.

Texto 2


 

Texto 3

No Brasil, basta um escândalo de corrupção estampar as manchetes dos jornais para que os comentaristas de plantão vociferem palavras de ordem na internet em que exigem, até, a pena de morte para os corruptores. Mas esses mesmos gritos raivosos aceitam, pacificamente, os pequenos crimes que eles próprios e muitos conhecidos praticam no dia a dia, sem nem mesmo perceber que o “jeitinho” do cotidiano também é uma forma de corrupção.
Na última semana, um cartaz colado em um muro de uma grande avenida de São Paulo perguntava aos passantes: “Habilitação suspensa?”. O anúncio, que desrespeitava a lei Cidade Limpa, legislação municipal que proíbe a colocação de cartazes em locais públicos, trazia um número de telefone e oferecia um serviço: dar um “jeitinho” nos pontos obtidos na carteira de motoristas que tiveram suas licenças para dirigir retiradas por causa do excesso de multas recebidas no trânsito.
O “jeitinho” brasileiro se estende para além do trânsito. Em pleno centro de São Paulo, a maior cidade do país, é possível comprar diplomas falsos que permitem a participação em concursos públicos e, mais comum ainda, atestados médicos, para justificar ausências mais prolongadas no trabalho. Também é possível, sem nem mesmo sair de casa, “roubar” o sinal da TV à cabo do vizinho, sem que ele saiba, ou comprar um aparelho decodificador de sinal pela própria internet e usá-lo para sempre sem ter que pagar mensalidade às operadoras, que, afinal, “cobram muito caro”. A prática é tão institucionalizada que tem até nome: “o gato net”.
Mas a corrupção diária pode ser ainda mais grave. A previdência social, uma das áreas mais afetadas pelo “jeitinho”, descobriu, apenas em 2013, 56 fraudes que causaram um prejuízo de 82 milhões de reais aos cofres públicos, afirma o Ministério da Previdência Social. O dinheiro estava sendo destinado para pessoas que passaram a receber benefícios depois de apresentarem documentos falsos, como atestados médicos ou comprovantes de união estável.
Uma pesquisa feita pelo Centro de Referência do Interesse Público (CRIP) da Universidade Federal de Minas Gerais mostrou em 2009 que 77% dos entrevistados acreditavam que a corrupção é um problema grave no país. Ao mesmo tempo, 35% delas concordaram que atitudes como sonegar impostos, quando eles são caros, podem ser erradas, mas não corruptas.
Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2013/12/04/sociedad/1386197033_853176.html. Adaptado.
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Re: SEMANA 43: TEMA: O “jeitinho brasileiro” em discussão no século XXI

Mensagem por Francis Bacon em Seg Maio 15, 2017 4:35 am

Modelo exemplar proposto pelo site: descomplica.com.br/blog

A capacidade de contornar situações que por vezes se mostram insolúveis e a recorrência de manobras previamente elaboradas, que nem sempre se enquadram na legalidade, cujo fim é esquivar-se de problemas configuram o chamado Jeitinho Brasileiro, pauta em inúmeros estudos sociológicos sobre o Brasil. Com raízes culturais que remontam à colonização do país, o jeitinho, embora também relacionado à capacidade de o povo tupiniquim se adaptar aos acontecimentos mais inesperadas, se sobressai negativamente, uma vez que muitos buscam obter vantagens pessoais transgredindo regras.

Primeiramente, é necessário enfatizar que a violação das convenções sociais, além de configurar um desvio de conduta, está na contramão dos ideais igualitários desejados por todos. Dessa maneira, situações encaradas como parte do cotidiano se mostram nocivas e contribuem para a manutenção de um sistema corruptível e desigual. Por isso, a banalização de atos egoístas e transgressores como furar filas, burlar blitz da lei seca, dar ou aceitar troco errado e comprar produtos falsificados legitima a aceitação de grandes corrupções que de tempos em tempos vêm à tona nos noticiários.

Por outro lado, o jeitinho brasileiro não pode ser encarado como totalmente negativo. Haja vista que a habilidade e o engenho para lidar com situações difíceis e até mesmo impossíveis constituem uma estratégia de sobrevivência social para muitos, principalmente se o alarmante atual cenário político e econômico do Brasil for levado em consideração. Existe, assim, um sentimento muito forte e comum aos brasileiros de buscar alegria e ferramentas alternativas para lidar com situações adversas. Mesmo que possa parecer controverso, é necessário encarar que essa característica adquirida no berço é um fenômeno muito mais complexo que uma simples dicotomia pode explicar e representar.

Fica claro, portanto, que há uma complexidade nessa ocorrência social que demonstra uma necessidade de avaliação por diferentes ângulos e considerações. Para tanto, é primordial que haja, por parte do governo, maior rigor e punição àqueles que praticam atos ilícitos, inibindo a cultura de impunidade; também é papel do indivíduo lutar por uma sociedade mais igualitária, sendo ativo na busca por seus direitos e não atuando de forma conivente e/ou omissa aos casos de corrupção de pequenas e grandes proporções; por sua vez, cabe a família transmitir valores aos jovens, para que estes se tornem cidadãos conscientes, formadores de um novo círculo virtuoso, capaz de alterar o cenário de banalização de crimes, constituindo um Brasil no qual o Jeitinho não seja mais visto como característica inerente e enraizada no brasileiro.

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